30.11.08

O sol ressurge.
Lindo, claro, brilhante.
Posso até imaginar que tudo foi um pesadelo, que finalmente acordei para minha vida normal.
Mas esta idéia não dura muito. É só descer a rua, andar alguns metros e começar a ver a desolação.
A cidade está imunda, lama, lodo, destroços por todos os lados.
Tristeza, pessoas com uma expressão que eu nunca vi. Não é desespero, é algo mais. Como se elas estivessem sem chão. E estão mesmo.
Na sexta-feira eu arrumei minha árvore de natal. Uma amiga comentou que arrumar as coisas para o natal parece um desrespeito com quem perdeu tudo.
Discordo, se nós que fomos poupados de tantas perdas não tentarmos deixar as coisas mais bonitas e demonstrar um pouco de esperança, o que será de quem não tem mais nada?
As pessoas estão sem NADA. Não têm roupas, calçados, cama, fotografias, brinquedos, lembranças.
É nisso que eu penso, foi nisso que pensei enquanto tirava das caixas meus enfeites de natal, tão queridos, comprados um pouquinho a cada ano, tantas lembranças.
Algumas coisas não podem ser recuperadas, recompradas, reconstruídas.
Fotos de entes queridos que já se foram, presentes de avós, pais, mães, filhos, amigos que já não existem mais.
Caminhando pela cidade, tenho um sentimento diferente, novo, que nunca antes eu senti.
Não é depressão, nada disso. Olhando a sujeira, os destroços, parece que nunca conseguiremos reconstruir aquela Blumenau das minhas lembranças, colorida de flores, de ruas limpas, arrumadas. Sinto vontade de fugir.
Passei a morar em Blumenau em 1985, tinha então cinco anos. Ainda se via nas casas a marca da água que ficou da enchente de 1983. Até bem pouco tempo atrás estas marcas permaneciam, faz muito pouco tempo que estas marcas foram sendo eliminadas por novas pinturas, mais de vinte anos depois as marcas eram visíveis. Mas a enchente de 83 não derrubou casas, me pergunto se matou tantas pessoas. Eu não me recordo, era uma criança.
E agora? Quanto tempo vai levar para tudo voltar ao normal? E será que pode existir normalidade depois de uma tragédia tão grande? Será que alguém pode retomar a vida depois de perder todos os familiares, além dos bens materiais?
E quantas pessoas nunca terão os corpos de seus familiares resgatados? Quantas pessoas viverão por muito tempo se perguntando se aquela pessoa tão querida realmente morreu?
Não consigo chegar a uma conclusão do que é pior. A morte é o fim, frio e cruel, mas definitivamente o fim. Mas só temos certeza da morte ao nos depararmos com um corpo.
E quando não há essa evidência a esperança cruel de encontrar as pessoas com vida pode ser pior do que a certeza da morte.
Não encontro palavras para um final feliz. Este 2008 estará para sempre nos livros de história como um ano trágico para Santa Catarina. Mas tenho certeza de que a esperança que chega até nós vinda de todos os cantos do Brasil e do mundo, não será em vão. Toda essa ajuda, que nos chega através do carinho dos que enviam roupas, comidas, colchões, dinheiro, com certeza dará ao povo catarinense uma luz. ESPERANÇA. Acredito que esta seja a palavra para receber 2009, e ela precisa vir acompanhada de muita força, coragem, determinação.
Os que estão sofrendo as perdas precisam de força e esperança para recomeçar, e os que não perderam nada precisam de esperança e determinação para ajudar. E nossos governantes precisam de coragem, de força, de determinação, para reverter para o povo os benefícios do dinheiro público e das doações que estão sendo enviadas. Desejo ardentemente que pessoas sem caráter não tentem lucrar com tanta dor e tanto desespero.
Com estas palavras ficam também minhas orações e desejo de dias melhores, para todos aqueles que nestes dias só conseguem enxergar um futuro duro e solitário.

Postado por Karla, em 11:41 AM
Comments:


Karla. 29 primaveras. Blumenau - SC. Leonina, com ares de canceriana. Amante da vida. Amiga, mulher, esposa, confidente, mãe. Algumas vezes irada, geralmente apaixonada. Tentando acertar o passo na coreografia da vida. Colecionadora de amigos, de bons momentos, de flores, de emoções. Eternamente uma expectadora da vida, das emoções e dos sentimentos humanos. Já fui alucinada por bolsas e sapatos e viciada em Coca-cola e chocolate. Hoje sou mais light! Sou louca por gente, por felicidade, por tardes ensolaradas de vento, e anoitecer em dia de primavera. Sou viciada em água, em ar puro, em amor. Já passei muito tempo tentando ser mais Gisele. Hoje tento ser mais eu a cada dia. Tento ser mais feliz, mais humana. Esta ainda sou eu, apenas eu, tentando ser sempre, mais e mais feliz.

...

Quem dera ter nascido mais Gisele, mais magra, mais alta, mais sortuda e mais poderosa. Ao inferno com as dores de cotovelo. Que atire a primeira pedra a mulher que nunca fez dieta, que nunca desejou andar de salto alto o dia inteiro e não se arrepender, que nunca invejou o corpo da próxima, que nunca se apaixonou por algum Gianechini. Aqui, encontro de mulheres, amigas, amantes, batalhadoras, sonhadoras, donas de casa, mães, irmãs, amigas, filhas, namoradas, apaixonadas, mal amadas. Mulheres, tão somente mulheres que ao trocar idéias se tornam mais fortes, mais confiantes.Mais mulheres... Seja bem vinda ao mundo do Bolsa de Mulher. Aqui você pode tudo, chorar, rir até não poder mais, contar piada, trocar receitas, olhar a moda, deixar idéias, e principalmente, ser feliz, muito mais feliz.

Eu...

Sempre quis ser uma dessas mulheres charmosas e glamourosas que saem de casa perfumadas e lindas pela manhã e permanecem assim até de noite. Porém, como sou muito destrambelhada e vivo me sujando e tropeçando e sempre cometendo gafes, resolvi criar o Bolsa de Mulher, para trocar idéias e fazer amigos.

karla_elisa_t@hotmail.com



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